Exclusivo: “iad Group está atenta a oportunidades de crescimento por via inorgânica em Portugal”

O presidente da empresa de imobiliário iad Group, Clément Delpirou, esteve em Lisboa para a Convenção Nacional da filial portuguesa que decorreu no Convento do Beato e falou em exclusivo com a Forbes sobre a estratégia e importância do mercado português para continuar a crescer. Clément Delpirou explicou que a iad destaca-se no mercado internacional…
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O presidente do iad Group, Clément Delpirou, diz que a estratégia no terreno passa por ser uma referência no imobiliário, expandindo o negócio para novas geografias. E Portugal integra esta ambição.
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O presidente da empresa de imobiliário iad Group, Clément Delpirou, esteve em Lisboa para a Convenção Nacional da filial portuguesa que decorreu no Convento do Beato e falou em exclusivo com a Forbes sobre a estratégia e importância do mercado português para continuar a crescer. Clément Delpirou explicou que a iad destaca-se no mercado internacional pelo “modelo de negócio revolucionário, 100% digital, que não depende de estruturas físicas e coloca o ser humano no topo das suas prioridades”. O gestor acredita que este modelo permite “prestar um serviço de excelência com apoio contínuo aos nossos consultores, tanto em termos de atividade como de formação especializada”. O iad Group foi criado em França e hoje está presente em sete países, sendo que o mesmo responsável defende que o modelo de negócio aporta valor a toda a cadeia – clientes compradores, vendedores e consultores imobiliários –, alocando recursos a pessoas, e não a estruturas que consideram como prescindíveis. Refere que a empresa dá total liberdade aos consultores para criarem o seu negócio com autonomia e apoio de uma estrutura sólida e profissionalizada, oferecendo-lhes um modelo que possibilita o desenvolvimento de equipas internacionais e de negócios partilhados entre diferentes países, bem como a possibilidade de construírem um património passível de ser transmitido de geração em geração.

Com o mote de “A Night Full of Stars”, a Convenção Nacional da iad juntou cerca de 400 participantes no Convento do Beato.

Como é que a iad se diferencia no mercado imobiliário?

As diferenças entre a iad e as chamadas agências tradicionais centram-se em três pontos: a possibilidade de qualquer pessoa criar um negócio de forma fácil e acessível; apoio humano e tecnológico em todas as fases da aventura empreendedora; aquilo a que chamamos “one network”: quebramos as fronteiras entre todos os países da iad e a possibilidade de expansão internacional para quem o desejar (já é o caso de mais de 700 consultores da nossa rede).

Até onde poderá chegar a ambição estratégica do grupo?

A iad tem vindo a afirmar-se como um player de referência no mercado imobiliário, demonstrando que há espaço para inovação também neste setor, e que, mais do que isso, a iad veio para ficar. A ambição estratégica do grupo iad passa por nos tornarmos uma referência global no setor imobiliário, expandindo o negócio localmente e para novas geografias, mas também aprimorando o nosso serviço e aumentando a autonomia dos nossos consultores. Os nossos principais objetivos são: consolidar e apoiar os países onde estamos atualmente presentes; tornarmo-nos líderes em cada um dos nossos mercados; explorar outras vias de desenvolvimento internacional. Confiamos verdadeiramente na nossa rede de consultores para nos ajudar a escolher os destinos certos. Procuramos as melhores oportunidades para os seus negócios e eles desafiam-nos, com frequência, a explorar novas vias. Foi o que aconteceu com a iad Portugal, fundada por consultores há quase 10 anos. A beleza do modelo iad é que funciona em todos os países que lançámos, tendo atingido o top 5 no setor imobiliário nos primeiros cinco a seis anos de atividade.

Em que segmentos dentro do imobiliário têm apostado e quais os que têm impulsionado a evolução do grupo?

O core do nosso negócio é a transação residencial, que representa 90% da nossa atividade. É claro que também estamos presentes no segmento de arrendamento, embora seja um negócio menor para nós. Por último, mas não menos importante, em França, aventurámo-nos na gestão de propriedades há dois anos. Já temos mais de 10 mil propriedades sob gestão e planeamos crescer de forma agressiva e internacionalmente.

Como tem evoluído o negócio do grupo em termos financeiros?

As vendas do grupo iad mais do que duplicaram em cinco anos, passando de 217 milhões de euros em 2021 para 453 milhões de euros em 2024. Durante muito tempo, foram impulsionadas pela iad France, a casa-mãe fundada em 2008, que conta com cerca de 14 mil consultores e uma quota de mercado histórica de 6,3%. Mas a quota dos países internacionais continua a crescer. Para o ano fiscal em curso, que teve início a 1 de julho, continuamos cautelosos e a analisar a saída da crise, apesar de os números apresentarem uma tendência positiva e ascendente desde há alguns meses, e temos como objetivo vendas com valores muito positivos, apesar das condições adversas do mercado. Em relação à iad Portugal, estamos prestes a ultrapassar o marco histórico de mil consultores independentes em menos de 10 anos.

Para um grupo como a iad, quais os argumentos que justificam investir em Portugal, um mercado mais pequeno face a outros onde estão presentes?

A história da iad é, acima de tudo, uma história humana. Portugal foi o primeiro país fundado por consultores iad, a maioria dos quais com ligações ao país. É o fruto de uma confiança absoluta no nosso modelo e de um dinamismo empresarial incomensurável. Estamos muito orgulhosos da história da rede e muito ligados aos seus pioneiros e à sua visão. No que diz respeito aos números, Portugal é um desafio emocionante para os profissionais do setor imobiliário. Trata-se de um país bastante atrativo em termos de investimento e dada a proximidade com França, não só geográfica, mas também legislativa e cultural, e considerando a forte presença portuguesa naquele território, houve interesse da parte dos fundadores em investir e em desenvolver este negócio no país. Outro fator fundamental foi o facto de Portugal sempre ter sido um país muito aberto à tecnologia e a modelos de negócio pioneiros. É um país de empreendedores e aventureiros, o que está em linha com o perfil da iad. Todos os players de referência do setor imobiliário estão presentes no país, o que faz do mesmo um teste vivo ao nosso modelo e uma verdadeira fonte de inovação.

Quais os trunfos do mercado imobiliário português?

Portugal é um país particularmente bem estruturado em termos de infraestruturas e tecnologia, com cinco aeroportos internacionais (Porto, Lisboa, Faro, Funchal e Ponta Delgada) e bem conectado por via aérea aos principais aeroportos da Europa. Por outro lado, tem um baixo custo de vida em comparação com outros países europeus. É um país seguro, com um clima mediterrânico atrativo e um sistema legal e fiscal semelhante ao de outros países europeus. As transações imobiliárias são seguras, rápidas e, em muitas regiões, os preços ainda são muito competitivos em comparação com outros mercados atrativos, proporcionando oportunidades interessantes. Em termos de tendências, verificamos a procura de imóveis em zonas periféricas ou rurais, onde os preços são mais acessíveis, a procura por imóveis mais eficientes energeticamente, uma vez que a legislação assim o incentiva, a procura por imóveis de luxo em zonas como o Algarve, Lisboa ou Cascais, muito impulsionado pelo investimento estrangeiro, e a elevada procura no mercado de arrendamento, impulsionado pelo aumento de preços de compra.

Como têm evoluído os dados financeiros da filial portuguesa? Quais os segmentos de mercado que têm contribuído para o crescimento? E até onde poderá crescer em Portugal nos próximos anos?

Portugal, tal como o resto da Europa, enfrenta desafios devido à recuperação da pandemia, guerras em curso e instabilidade económica. Estes fatores, juntamente com a elevada inflação e o aumento das taxas de juro, têm reduzido o poder de compra dos portugueses. Além disso, o país enfrenta uma grave crise habitacional, com falta de oferta ajustada à procura e insuficiente construção de novos imóveis. Embora com todas estas condicionantes, no ano fiscal de 2023-24, a iad Portugal aumentou sua quota de mercado de 1,26% para 1,40%, impulsionada pelo crescimento da rede de consultores e o volume de faturação por eles aportado. Este desempenho esteve em linha com as expectativas que o mercado nos oferece no país. Temos um plano de investimentos para continuar a aumentar a notoriedade da marca, incluindo novas estratégias de comunicação em parceria com consultores a nível local. Em termos de crescimento orgânico, o objetivo passa por alargar a nossa rede – que já soma perto de mil consultores em Portugal Continental e Ilhas -, e permanecemos atentos a oportunidades de crescimento por via inorgânica, como a que ocorreu recentemente em Espanha com a integração de uma agência líder na nossa filial espanhola.

Como é composta a rede de colaboradores em Portugal e nos restantes mercados?

Temos 495 colaboradores a trabalhar em todas as sedes da iad, que prestam serviço aos cerca de 18 mil consultores nos oito países onde estamos presentes, dos quais, cerca de mil em Portugal. França contribui, obviamente, com a maior percentagem (perto de 14 mil consultores). O objetivo é crescer, tanto mais que há países onde a nossa aventura é ainda muito recente, como é o caso do Reino Unido e dos EUA (Flórida). Em Portugal, os serviços centrais estão sediados no Porto e são atualmente compostos por 35 profissionais especializados em diversas áreas tais como comunicação, marketing, vendas, recursos humanos, economia, contabilidade, programação ou direito. Nunca escondemos que a nossa ambição é liderar em todos os mercados onde estamos presentes. E, para isso, é necessário aumentar o número de consultores em cada país.

Em Portugal estamos quase a conhecer o Orçamento do Estado para 2025. Para o setor imobiliário quais as medidas que deveriam ser contempladas para atrair mais investimento?

Acima de tudo, é necessário um consenso entre as principais forças políticas para que possa haver estabilidade a médio-longo prazo neste mercado. A incerteza é a pior inimiga dos investidores, e foi isso que, nos últimos tempos, afastou alguns investidores do mercado português. É consensual que ao mercado português falta construção nova a preços acessíveis, por um lado, e mais dinâmica no mercado de arrendamento. As políticas a adotar deverão, assim, procurar responder a estes desafios e há vários caminhos que podem ser percorridos. Medidas fiscais, por um lado, mas também medidas administrativas de aumento da disponibilidade de solos e diminuição da burocracia, por exemplo.

Como avalia o mercado imobiliário a nível global?

De um ponto de vista global, a crise afetou todos os mercados em que operamos, mesmo que em níveis diferentes. As consequências não foram as mesmas para todas as nossas geografias: em França, onde somos líderes de mercado, com uma quota de mercado histórica de 6,4%, ainda superámos a performance do mercado em 15% durante a crise, mas não conseguimos conter o abrandamento das vendas. Nos países mais recentes, onde o desafio é maior, como Espanha, Itália ou Alemanha, conseguimos crescer dois dígitos, apesar do contexto imobiliário desfavorável. Não esqueçamos que a iad foi fundada em 2008, durante uma das maiores crises imobiliárias do mundo, e a capacidade dos nossos consultores para operar num contexto menos favorável sempre foi a chave do nosso sucesso.

O mercado imobiliário tem sido considerado resiliente, já que mesmo na crise pandémica conseguiu dar a volta. Como se explica essa resiliência?

Ter uma casa é uma necessidade básica. Todas as pessoas precisam de um local para morar. Gostamos de dizer que, na iad, os nossos consultores não vendem casas, mudamos vidas. Os projetos de compra e venda estiveram estagnados durante algum tempo com a crise e a subida generalizada das taxas de juro. Graças à recente descida das taxas de juro, o mercado está a recuperar, ainda que de forma tímida, mas sólida, desde o final da primavera. O mercado imobiliário tem demonstrado uma resiliência notável, mesmo em períodos de crise, como a pandemia, graças a fatores como a procura sustentada e a adaptação tecnológica do setor. Assistimos a dois anos pós-covid sem precedentes de dinamismo sustentado, seguidos de 18 meses de declínio acentuado. Estamos confiantes de que o mercado voltará a um ritmo mais normal este ano.

O que ainda ajuda a continuar a crescer?

A procura por imóveis para habitação e investimento mantém-se elevada, impulsionada tanto por compradores locais como por investidores estrangeiros, atraídos por incentivos. Além disso, o uso de ferramentas digitais permitiu que o mercado se reinventasse e continuasse a operar, mesmo com restrições físicas. No entanto, poderá enfrentar desafios, como a flutuação das taxas de juros e a limitação da oferta de habitação em alguns mercados. Mas também as questões macroeconómicas e políticas públicas podem influenciar o ritmo de expansão do setor. Ainda assim, com a crescente procura por construções sustentáveis e novos modelos habitacionais, o mercado mantém-se com boas perspetivas de crescimento, embora a um ritmo mais moderado do que nos últimos anos.

Neste mundo das novas ferramentas tecnológicas, como Inteligência Artificial ou ChatGPT, como é que o setor pode sair beneficiado?

Sem dúvida que existem vantagens. As novas ferramentas tecnológicas vêm apoiar o trabalho diário do consultor, permitindo-lhe chegar aos seus clientes de uma forma muito mais direcionada, segmentada e eficaz, respondendo às suas verdadeiras necessidades, e conectando com muito maior precisão e rapidez as especificidades tanto de compradores como de vendedores.

Mas há vantagens para os consultores imobiliários? Ou criam ameaças aos postos de trabalho?

Uma das principais apostas do lançamento da iad foi a substituição das lojas físicas pela montra digital impulsionada pela tecnologia. Desde o primeiro dia, as ferramentas tecnológicas capacitaram os nossos consultores e permitiram-lhes superar o mercado das agências tradicionais. Temos uma equipa interna com mais de 100 especialistas que melhoram regularmente as soluções que oferecemos aos nossos consultores. Estas soluções permitem-lhes concentrarem-se nas relações humanas e de proximidade com os seus clientes, automatizando a parte administrativa e burocrática. Como precursores neste domínio, estamos sempre à procura de formas de tornar a atividade dos nossos consultores mais ágil e competitiva. Não obstante, o eixo humano que conduz todo o processo nunca deixará de ser fulcral, pelo que não acredito que colocará em causa postos de trabalho.

Portugal realizou a Convenção Nacional 2024 da iad. Quais os destaques do evento deste ano?

A Convenção Nacional, que acontece em todas as geografias onde estamos presentes, é o evento mais importante do ano para nós. É um momento crucial de celebração, de homenagem, de alinhamento estratégico e de partilha de ambições e objetivos para o futuro. Nesta noite, foram entregues os prémios iad Awards nas categorias “Top Mandates” (angariações), “Top Exclusive Mandates” (angariações em exclusivo), “Top Sales” (vendas), “Top Sales Revenues” (produção pessoal), “Top MLM Revenues” (produção de equipa) e “Top Sponsorship” (recrutamento equipa), entre outros. Pela primeira vez este ano, foi atribuído um novo troféu, o “Rising Star Award”, a uma “estrela em ascensão” da iad Portugal e foram também conhecidos os grandes vencedores do iad World Challenge 2024, um evento internacional exclusivo que reúne os top performers de todas as filiais do grupo iad.

E Portugal continua no radar dos investidores…

Um estudo feito em novembro 2022 (pelo Ipsos french institute para a iad) revelou que os ingleses e os franceses ambicionam comprar casa no estrangeiro nos próximos anos e colocam Portugal no seu top de preferências. Mediante a análise deste estudo e dos valores das transações registadas, a iad lançou uma plataforma de investimento imobiliário a nível internacional – iad Overseas – com profissionais especializados e adaptados ao idioma do cliente. O iad Overseas (www.iadoverseas.com) agrega mais de 90 mil imóveis, distribuídos por oito países: Espanha, França, Portugal, Itália, México, Dubai, Grécia e Chipre. Agora todos podem investir no estrangeiro com o apoio de um consultor iad Overseas, sem qualquer problema de comunicação, sendo especialistas formados para proporcionar um acompanhamento de excelência, reforçando, ainda mais, o comprometimento da marca com o seu pilar de internacionalização.

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