As jogadoras preparam-se para disputar, dentro das quatro linhas, a final do Mundial 2023, mas do lado de fora, ainda que muito perto, está alguém que não se cansa de bater recordes. Com Inglaterra e Espanha a carimbarem a passagem à final, nos bancos estarão uma mulher e um homem a assumir o comando técnico de cada seleção. Mas Sarina Wiegman já provou tudo o que tinha a provar, neste e em outros torneios.
A neerlandesa começou a carreira como futebolista. Como estudante na Universidade da Carolina do Norte, representou North Carolina Tar Heels, e depois regressou ao seu país de origem para jogar pelo Ter Leede. Ao mesmo tempo que se dedicava ao futebol, trabalhava como professora de educação física. Até 2003, ano em que deixou de jogar, venceu o campeonato neerlandês por duas vezes e assinou 99 internacionalizações pela seleção dos Países Baixos.
Três anos depois, começou a sua caminhada como treinadora. Primeiro na equipa que deixou como futebolista, Ter Leede, depois no ADO Den Haag. Tudo isto antes de se juntar à seleção nacional neerlandesa como treinadora-adjunta. O comando técnico da mesma equipa chegou em 2017. E Sarina não perdeu tempo: venceu o Europeu nesse mesmo ano e chegou à final do Campeonato do Mundo em 2019, que os Estados Unidos acabaram por vencer.

Em 2021, aceitou treinar a seleção inglesa. O resto? Como se costuma dizer, o resto é história.
No ano seguinte voltou a repetir a receita e venceu o Europeu, desta vez com a Inglaterra. Avançando até 2023, numa altura em que vai disputar a final do Mundial, Sarina tornou-se uma colecionadora de recordes. A treinadora levou as inglesas à sua primeira final na história do Mundial de futebol, depois de uma vitória por 3-1 contra a Austrália. Esta é a quarta final consecutiva de Sarina em grandes torneios (o Euro 2017 e o Mundial 2019 com os Países Baixos, e o Euro 2022 e o Mundial 2023 com a Inglaterra). Assim, Sarina converteu-se na única treinadora (de equipas femininas ou masculinas) a levar duas nações a uma final de um Mundial, nos 93 anos de história da competição.
A neerlandesa tem agora a oportunidade de ir mais longe. Apesar de ter perdido a final com os Países Baixos, pode vencer com Inglaterra, o que colocaria a seleção no topo da Europa e do Mundo. A final está marcada para o próximo domingo, dia 20, às 11h.