O Presidente Joe Biden fez o seu discurso de despedida à nação na quarta-feira à noite, nos EUA, aproveitando para avisar os americanos sobre aquilo a que chamou uma oligarquia “de extrema riqueza, poder e influência” que se está a enraizar nos EUA, falando de “forças poderosas” contra a ação climática e levantando especificamente a preocupação sobre o crescente domínio da indústria tecnológica.
Biden disse que estava “preocupado com a potencial ascensão de um complexo tecnológico-industrial”, ecoando o aviso no mesmo sentido feito pelo então presidente Dwight D. Eisenhower, quando cessou o seu mandato, em 1961, sobre o “complexo militar-industrial”, que ele referiu que “poderia representar perigos reais para os EUA”.
Biden apontou para as Big Tech, dizendo que “os americanos estão sendo enterrados sob uma avalanche de ‘misinformation and disinformation’ (falsas informações e desinformação) que permite o abuso de poder”. Dias depois de Biden ter criticado a decisão da Meta, dona do Facebook, de encerrar a verificação de fatos nas suas plataformas como “realmente vergonhosa”, no seu discurso de despedida, Biden não deixou passar esse caso em branco, referindo que as redes sociais “estão a desistir da verificação de factos”.
“Hoje, uma oligarquia está a ganhar forma na América, de extrema riqueza, poder e influência, que ameaça literalmente toda a nossa democracia, os nossos direitos e liberdades básicas, e uma hipótese justa para todos progredirem”, observou Biden.
O ainda presidente norte-americano também alertou sobre uma “oligarquia que está a tomar forma” nos EUA através da “perigosa concentração de poder nas mãos de um número muito pequeno de pessoas ultra-ricas” e disse que os EUA poderiam sofrer “consequências perigosas se o abuso de poder não for controlado”.
Embora Biden não tenha citado nenhuma figura específica no seu alerta sobre uma oligarquia americana, muitos dos bilionários mais ricos do mundo, como Elon Musk, Jeff Bezos e Mark Zuckerberg, construíram as suas fortunas a liderar grandes empresas de tecnologia – curiosamente, os três estarão sentados juntos na tomada de posse do presidente eleito Donald Trump na próxima segunda-feira.
No seu discurso, Biden reconheceu o poder da Inteligência Artificial (IA), elogiando-a pelas suas “profundas possibilidades”, ainda que tenha acautyelado que, a menos que sejam adotadas salvaguardas, “a IA pode gerar novas ameaças aos nossos direitos, ao nosso modo de vida, à nossa privacidade, à forma como trabalhamos e como protegemos a nossa nação”.
Nesse sentido, insistiu que deve ser “a terra da liberdade, a América, e não a China”, a liderar o mundo no desenvolvimento desta tecnologia.
com Antonio Pequeño IV/Forbes Internacional