Finanças pessoais: Certificados de Aforro valem a pena?

Os certificados de aforro são um dos produtos mais tradicionais e reconhecidos para quem procura poupar algum dinheiro, mas nos últimos anos têm perdido alguns fãs por causa das baixas taxas de juro associadas. No entanto, nos últimos meses, esse efeito tem vindo a mudar por um simples motivo: as muito faladas subidas das taxas…
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A atratividade dos certificados de aforro aumentou nos últimos meses, com a subida das taxas Euribor. Quais são os ganhos que estão a proporcionar? Ainda assim, vale a pena o investimento?
Economia

Os certificados de aforro são um dos produtos mais tradicionais e reconhecidos para quem procura poupar algum dinheiro, mas nos últimos anos têm perdido alguns fãs por causa das baixas taxas de juro associadas.

No entanto, nos últimos meses, esse efeito tem vindo a mudar por um simples motivo: as muito faladas subidas das taxas Euribor.

Nos últimos meses, muito se tem falado sobre a subida das taxas Euribor e do impacto que as mesmas estão a ter nas prestações de crédito à habitação. Para ter uma noção, a 1 de julho de 2022, a taxa Euribor a 3 meses encontrava-se a -0,176% e a 1 de janeiro de 2023, 6 meses depois, estava em 2,162%. Uma subida vertiginosa e que, dizem os especialistas, poderá não ficar por estes valores e as subidas devem continuar a acontecer, pelo menos, durante o primeiro semestre de 2023, ainda que tudo indique que de forma mais sóbria.

Então de que forma é que a subida das taxas Euribor tem tido impacto nos Certificados de Aforro? No cálculo da taxa de juro dos mesmos, a mesma é obtida através da Euribor 3M + 1%.

Com a subida da Euribor, assiste-se também a uma subida da taxa de juro aplicada a este produto de poupança. O que seria uma taxa de juro bruta de 0,82% em julho, é agora, em janeiro, de 3,16%.

Na verdade, o produto encontra-se praticamente na sua taxa máxima de remuneração, definida em 3,5%, ao qual acrescem prémios de permanência de 0,5 % do início do 2º ano ao final do 5º ano e de 1,0 % do início do 6º ano ao final do 10º ano.

Esta subida na rentabilidade dos certificados de aforro tem atraído muitas pessoas para este tipo de produto já que, nesta fase, apresentam uma rentabilidade aliciante, se considerarmos que se trata de um produto de poupança e capital garantido.

As alternativas mais usuais, como os depósitos a prazo, continuam a não apresentar subidas de taxas de juro na remuneração, como alguns esperavam que acontecesse com as subidas dos juros de crédito.

Os portugueses são, tendencialmente, avessos ao risco de investimento e com um perfil muito conservador, e os números mostram isso.

De acordo com dados do Banco de Portugal, divulgados a 21 de dezembro de 2022, o montante total investido nestes títulos de dívida do Estado alcançou os 17,71 mil milhões de euros em novembro do mesmo ano, traduzindo-se assim no valor mais alto desde maio de 2008.

Em resumo, estamos perante um efeito positivo da subida das taxas Euribor, o que nem sempre é mencionado de forma transparente, já que o foco se mantém do lado das subidas de prestação em créditos, especialmente de habitação.

É verdade que é pouco provável que a subida na rentabilidade dos certificados de aforro vá compensar a subida no custo das dívidas mas, ainda assim, poderá seguramente atenuar de alguma forma e contribuir para um melhor equilíbrio da situação financeira dos portugueses.

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