“A escultura está no meu sangue, é parte da minha herança familiar”

Contactar com Hans Varela e com a sua mulher Gretta Balin, é conhecer duas pessoas que encontraram em Portugal condições de vida muito próximas do ideal. “Este país, com sua riqueza cultural, paisagens inspiradoras e materiais excecionais como o mármore, ofereceu-me um ambiente que alimenta a minha imaginação”, conta Hans, que tem em Gretta uma…
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Hans Varela é escultor, cubano e uma das pessoas que soube ultrapassar vicissitudes para se consagrar como artista. A viver em Portugal há 25 anos, apresenta a sua obra em galeria própria e promove o trabalho de mais de 200 artistas internacionais.
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Contactar com Hans Varela e com a sua mulher Gretta Balin, é conhecer duas pessoas que encontraram em Portugal condições de vida muito próximas do ideal. “Este país, com sua riqueza cultural, paisagens inspiradoras e materiais excecionais como o mármore, ofereceu-me um ambiente que alimenta a minha imaginação”, conta Hans, que tem em Gretta uma grande promotora da sua obra. Juntos, inauguraram a Galeria Arca e trazem uma grande riqueza artística para o país.

“A figura humana é um universo infinito de expressão e beleza, algo que me inspira constantemente”

O que o levou a ser escultor?

A escultura está no meu sangue. Cresci cercado por escultores e sempre gostei de criar em três dimensões. Em criança, fazia os meus próprios brinquedos e durante o serviço militar, aproveitei o tempo livre para experimentar pequenas esculturas em madeira. Foi aí que a minha paixão cresceu.

Porquê a escultura figurativa e porquê o corpo humano?

Sinto, desde pequeno, uma conexão especial com a figura humana, fascinava-se como cada parte do corpo ganha expressão através dos seus movimentos, como uma linguagem própria. Estudei anatomia humana e foi aí que me perdi num verdadeiro êxtase; tornou-se uma paixão avassaladora que me acompanha até hoje.

A mulher tem grande destaque na sua obra. Porquê?

A mulher é uma das minhas fontes de inspiração e, antes de a esculpir, preciso de a sentir, compreender a sua essência, para que o meu cérebro possa guiar as minhas mãos com precisão. O que mais me desafia e encanta é o seu movimento. Ele define-a em qualquer lugar, mesmo à distância.

Está em Portugal há 25 anos. Porquê este país?

Vim para Portugal através de um intercâmbio cultural entre os nossos países. Em Cuba, eu trabalhava apenas com madeira e foi aqui que descobri os mármores incríveis deste país. Sempre tive o sonho de me tornar um escultor especializado em mármore, e Portugal oferecia todas as condições para que eu conquistasse esse objetivo.

Viver em Portugal abriu as portas da minha criatividade sem limitações.

“Em Portugal encontrei a liberdade e os recursos para explorar novas ideias e expressar a minha arte de forma plena”

Quais os maiores desafios na profissão?

O maior desafio é aquele momento inicial, quando você tem a ideia no papel e está diante de um bloco de mármore com três metros de altura. Você olha para ele e se pergunta: ‘Por onde começo?’ É um instante de dúvida e, ao mesmo tempo, de emoção indescritível, porque já consigo visualizar a peça pronta nos meus olhos.

Eu só começo a esculpir quando grito para mim mesmo: ‘Eu tenho! Já a vi por completo!’ É nesse momento que a ideia se transforma numa visão clara, e o processo pode realmente começar. É um desafio que exige paciência, intuição e uma confiança total no meu próprio instinto criativo.

Como vê a evolução da arte em geral em Portugal e, particularmente, da escultura?

Vejo a evolução da arte em Portugal como algo muito promissor. Têm surgido novas técnicas, com a tecnologia a acompanhar o desenvolvimento artístico, o que é extremamente positivo do ponto de vista criativo. Na escultura, especificamente, há um equilíbrio interessante entre a valorização das técnicas tradicionais e a experimentação com novos materiais e formas.

Com a Gretta, sua mulher, inaugurou a galeria Arca, há 5 anos no Hotel the One Palácio da Anunciada e, mais recentemente, no Hotel Hilton, ambos em Lisboa. Trabalhar no mercado da arte em Portugal é compensador?

Apesar das dificuldades que existem, acredito que a arte é intemporal. Vejo um futuro promissor para o mercado da arte em Portugal, pois o país começa a ganhar destaque no cenário internacional com artistas que estão a conquistar espaço além-fronteiras e o mercado de luxo está a crescer. É muito positivo estar presente desde o início dessa transformação.

Que planos tem para o futuro próximo e que desafios espera enfrentar?

Tenho muitos planos. Um é tornar-me mais conhecido no mercado internacional. Quero continuar a criar obras marcantes e impactantes aqui em Portugal, fortalecendo a minha presença local enquanto expando a minha influência global.

 

Hans Varela no Forbes Women Summit

A ligação ao mundo empresarial faz parte da construção da carreira de Hans Varela. “Para as empresas, a arte agrega valor, sofisticação e um diferencial competitivo à sua imagem. Para os artistas, essa parceria abre novas oportunidades de criação e visibilidade, permitindo-lhes alcançar diferentes públicos e contextos.”

A sua presença no próximo Forbes Women Summit é, para ele, uma homenagem à mulher. “A figura da mulher é uma das principais fontes da minha inspiração e a minha participação no Women Summit é uma forma de homenagear tudo o que elas representam. A mulher é um símbolo de vida, resiliência e transformação, e, através da minha arte, tento transmitir essa complexidade e riqueza.”

O fascínio pelas mãos

As mãos humanas são o que Hans mais gosta de criar. “Elas têm uma força e um idioma próprios, capazes de transmitir uma ampla gama de emoções e significados. São verdadeiros instrumentos de expressão. Cada movimento, cada gesto conta uma história, e capturar essa riqueza na escultura é algo que me desafia e me realiza artisticamente.”

 

Este conteúdo foi produzido em parceria com Hans Varela.

 

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