O cabeça de lista do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido declarado vencedor das quintas eleições gerais, realizadas no país, a 24 de Agosto último, João Manuel Gonçalves Lourenço, foi investido nesta quinta-feira, 15 de setembro, no cargo de Presidente da República de Angola para mais um mandato de cinco anos.

Na cerimónia de investidura, orientada pela juíza Presidente do Tribunal Constitucional, Laurinda Cardoso, na Praça da República, em Luanda, ao tomar posse, João Lourenço jurou, com a mão direita sobre a Constituição do país, perante mais de 15 mil pessoas, entre nacionais e estrangeiras, desempenhar com dedicação as funções para as quais foi investido, “cumprir e fazer cumprir a Constituição da República e as leis do país, defender a independência, a soberania, a unidade da nação e a integridade territorial do país, defender a paz e a democracia e promover a estabilidade, o bem-estar e o progresso social de todos os angolanos”.
De 68 anos de idade, João Lourenço nasceu no Lobito, província de Benguela. É filho de Sequeira João Lourenço, natural de Malange, enfermeiro, e de Josefa Gonçalves Cipriano Lourenço, natural do Namibe, costureira, ambos já falecidos.
Em fevereiro de 2017, depois de eleito vice-presidente do MPLA, em Congresso, foi confirmado pelo Comité Central como candidato do partido às eleições gerais daquele ano, numa altura em que exercia, no Governo, o cargo de ministro da Defesa Nacional.

Nascido a 5 de março de 1954, é general na reserva e já desempenhou várias funções no aparelho do Estado e no MPLA, em que se destacam a de governador provincial e 1º Secretário do Comité Provincial do Partido no Moxico e em Benguela. Na antiga Assembleia do Povo, foi deputado e nas Forças Armadas de Libertação de Angola (FAPLA) foi chefe da Direção Política Nacional.
No partido que milita, foi secretário-geral e presidente da Comissão Constitucional, secretário do Bureau Político para a Informação, presidente do Grupo Parlamentar, membro da Comissão Permanente e 1º vice-presidente da Assembleia Nacional. Casado com Ana Afonso Dias Lourenço, o presidente reconduzido de Angola é pai de seis filhos. Tem como hobby a leitura, a equitação e o xadrez. Mantém a boa forma praticando futebol, ciclismo e karaté. Para além do português, fala inglês, russo e espanhol.
O MPLA e o seu candidato a Presidente da República, João Lourenço, venceram as quintas eleições, com um total de 3.209.429 votos válidos, segundo os dados definitivos publicados pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE) e validados pelo Tribunal Constitucional.
Na mesma cerimónia foi igualmente investida Esperança Maria Eduardo Francisco da Costa, como Vice-Presidente da República de Angola, tornando-se na primeira mulher a desempenhar a função.
O final do ato foi marcado pelo desfile dos três ramos das Forças Armadas Angolanas (Exército, Marinha de Guerra e Força Aérea Nacional), acompanhado, de pé, pelo Chefe de Estado e Comandante em Chefe das referidas forças, João Manuel Gonçalves Lourenço.
João Lourenço promete ser o Presidente de todos. Analistas defendem ser necessário sair-se da teoria para a prática
Reforma do Estado, da economia, estimulação do sector da sociedade civil e apoio técnico à produção nacional são apenas alguns de muitos avançados pelos analistas. – Jaime Pedro
O recém-investido Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, promete respeitar a Constituição e as leis e ser o “presidente de todos os angolanos”, governando em prol do desenvolvimento económico e social do país e do bem-estar de todos.
A promessa foi feita no seu primeiro discurso à nação, momentos de pois de ter sido empossado para um novo mandato de cinco anos como Chefe de Estado angolano, em cerimónia que decorreu na praça da República, em Luanda.
“Continuaremos a trabalhar em políticas e boas práticas para incentivar e promover o sector privado da economia, para aumentar a oferta de bens e serviços de produção nacional, aumentar as exportações e criar, cada vez mais, postos de trabalho para os angolanos, mas sobretudo, para os mais jovens”, garantiu João Lourenço.
Para o economista Augusto Fernandes, “é como se o presidente angolano estivesse a dizer as pessoas que expressaram o seu sentimento nas urnas, que ouviu a voz do povo e vai governar dentro daquilo que são os seus desejos”.
O especialista, que entende que existem desafios pela frente, acredita que João Lourenço pretende dar maior dignidade ao povo angolano, fundamentalmente no que tem que ver com a fome, a habitação e está preocupado com os vetores que garantem a qualidade de vida e o bem-estar da população e, consequentemente a dignidade dos angolanos.
Eleito para um segundo mandato em sufrágio realizado a 24 de Agosto último, o estadista promete ainda prestar uma atenção especial às forças de defesa e segurança. “A formação contínua dos efetivos assim como a melhoria das condições de aquartelamento das tropas e dos seus salários, é algo a que nos dedicaremos logo nos primeiros dias da entrada em funcionamento do Executivo”, afirmou.
Investimentos continuarão a ser feitos no ser humano, como principal agente do desenvolvimento, na sua educação e formação, nos cuidados de saúde, na habitação condigna, no acesso à água potável e energia elétrica, bem como no saneamento básico, acrescentou o Chefe de Estado.
O Jurista Albano Pedro entende que o também Presidente do Movimento Popular para Libertação de Angola (MPLA) apresentou um discurso que revela uma correção de estratégia de governação, mas que não pode ficar apenas pelas promessas, uma vez que “há desafios muito concretos” que precisam ser vencidos.
Reforma económica e privatização da economia, reforma do Estado – “que implica alteração na Constituição da República”, bem como desconcentrar os poderes do Presidente e emagrecer o aparelho do Estado, estimular o sector da sociedade civil e garantir o apoio técnico para a produção nacional, com a implementação de laboratórios, são as principais tarefas que o também docente universitário acredita que João Lourenço terá de resolver.
Albano Pedro, que considera estes aspetos “cruciais” que, “se não forem resolvidos não vamos ver esse discurso, que é sempre bonito, a sair do papel”. E depois, adiciona, no final vão produzir os mesmos resultados, “porque não estaremos a resolver o essencial”.
A cerimónia de investidura de João Lourenço e da sua principal auxiliar, a Vice-Presidente da República, Esperança Maria Eduardo Francisco da Costa, foi testemunhada por mais de 15 mil pessoas, dentre entidades nacionais e internacionais.

Ao ato estiveram presentes 40 delegações estrangeiras e cerca de 20 Chefes de Estados e de Governo, com destaque para líderes lusófonos como o Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, de Cabo Verde, José Maria das Neves, de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, da Guiné-Bissau, Umaro, Sissoco Embaló, e da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo.
