Márcia Ferreira: “A tecnologia e a criatividade são mais essenciais do que nunca”

O percurso de Márcia Ferreira ficou marcado por um grande mudança a nível profissional. Depois de uma temporada a trabalhar na área financeira de uma petrolífera, decidiu dar uma volta de 180º e abraçar uma oportunidade nos setores da produção de eventos e audiovisual. Hoje, é a CEO da Mainvision, a empresa que afirma estar…
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Márcia Ferreira deixou o setor financeiro para se dedicar aos eventos, onde abraçou a área do audiovisual. A mudança de carreira levou-a a um lugar onde pode ser aquilo que sempre foi: criativa.
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O percurso de Márcia Ferreira ficou marcado por um grande mudança a nível profissional. Depois de uma temporada a trabalhar na área financeira de uma petrolífera, decidiu dar uma volta de 180º e abraçar uma oportunidade nos setores da produção de eventos e audiovisual.

Hoje, é a CEO da Mainvision, a empresa que afirma estar numa fase de consolidação. “Estamos num ponto em que o trabalho que realizámos ao longo destes 16 anos de experiência está a dar frutos”, afirma. Além disso, dá cartas numa área que tem vindo a ser mais associada aos homens do que às mulheres.

O que a levou deixar o trabalho como financeira numa petrolífera?
Após 11 anos a trabalhar na área financeira de uma multinacional, que me dava segurança, tomei a decisão de sair porque queria seguir a minha paixão. Ou seja, trabalhar em comunicação, mais concretamente na área de eventos.

E porquê a produção de eventos?
Porque os eventos são uma poderosa ferramenta de comunicação e porque acredito profundamente no poder transformador dos eventos. Os eventos vão muito além de reunir pessoas: eles criam experiências que conectam marcas, ideias e emoções. Dentro dos eventos, a área que escolhi foi o audiovisual, porque sempre senti que é a área que mais pode contribuir para o sucesso de um evento. Através dos audiovisuais, conseguimos traduzir e elevar as mensagens dos oradores de forma poderosa. Damos vida a mensagens através de luz, som, imagem e cenografia, criando momentos que inspiram, impactam e ficam na memória. Além disso, os eventos combinam estratégia e criatividade, duas áreas que sempre me apaixonaram.

Em que é que a sua vida mais mudou estando ligada a uma e depois a outra área?
A minha vida mudou significativamente na transição da área financeira para a área de eventos e comunicação. Trabalhar na área financeira trouxe-me estrutura, disciplina e foco em resultados, que foram essenciais no meu percurso. No entanto, era um ambiente mais previsível, com menos espaço para a criatividade e expressão pessoal. Quando entrei na área de eventos, a dinâmica mudou completamente e as competências que fui adquirindo no setor financeiro foram cruciais para trabalhar em eventos. Nesta área, a criatividade passou a estar no centro de tudo o que faço, e isso trouxe uma energia renovada à minha vida. Os dias tornaram-se mais imprevisíveis, mas também mais emocionantes. Cada evento é único, com novos desafios e oportunidades para inovar, conectar pessoas e criar impacto.

Como é que descreve o seu trabalho hoje em dia?
Hoje em dia, descrevo o meu trabalho como a arte de transformar ideias em experiências memoráveis. Na Mainvision, lidero uma equipa talentosa que cria soluções audiovisuais e cenográficas para eventos corporativos. O meu papel envolve criatividade, planeamento e gestão. No fundo, é um trabalho que combina visão estratégica com um profundo respeito pelo detalhe técnico e pela experiência humana.

Que projetos mais a marcaram ao longo da sua carreira?
Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de trabalhar em projetos verdadeiramente únicos, mas alguns deixaram uma marca especial. Destaco dois, em épocas diferentes. Um deles é o primeiro evento virtual da Mainvision durante a pandemia, que foi um marco de reinvenção. Num momento em que os eventos presenciais foram suspensos, desafiámo-nos a criar uma solução inovadora que não fosse apenas uma adaptação temporária, mas um modelo de que nos orgulhássemos, e que fosse sustentável para o futuro. Demos uma resposta muito rápida ao mercado e transformámos, em tempo recorde, a experiência tradicional num evento 3D interativo, garantindo proximidade e impacto, mesmo à distância. Este evento não foi apenas uma resposta à crise, mas a demonstração de que a Mainvision estava pronta para elevar a comunicação no ambiente digital, mostrando resiliência, criatividade e visão.

Mais recentemente, destaco um evento premiado, que fizemos com videomapping interativo para a Carla Rocha Comunicação. Foi um desafio técnico e criativo, que nos levou a ultrapassar limites e mostrou ao mercado a capacidade da Mainvision de inovar e encantar. Representou aquilo em que a Mainvision acredita: é possível criar experiências inesquecíveis que unem tecnologia, criatividade e emoção. Em suma, foi um evento que demonstrou como os audiovisuais podem amplificar histórias e impactar as pessoas. Para mim, foi uma prova de que, com a combinação certa de paixão, inovação e rigor técnico, podemos realmente transformar eventos em momentos mágicos.

Sendo a área da produção de eventos e audiovisual ainda muito associada ao masculino, quais são os maiores desafios que enfrenta como mulher nesta área?
A área da produção de eventos e audiovisual, historicamente associada ao masculino, ainda traz desafios específicos para as mulheres. Concretamente, o meu maior desafio é equilibrar a empatia com a assertividade necessária para liderar, sem cair nos estereótipos de “demasiado dura” ou “demasiado sensível”. Apesar de os desafios existirem, vejo-os como uma oportunidade de abrir caminho para maior diversidade e equidade. Não há dúvida que as mulheres têm um lugar de destaque nesta área, e trazem uma visão diferenciada e transformadora.

Como é que olha para o futuro da área?
Olho para o futuro da produção de eventos e do audiovisual com otimismo e curiosidade, porque estamos a viver um momento de transformação acelerada, em que a tecnologia e a criatividade são mais essenciais do que nunca. A par disso, acredito que algumas tendências principais irão marcar o mercado nos próximos tempos. Designadamente, a tecnologia continuará a ser a grande protagonista, os eventos presenciais serão cada vez mais imersivos e personalizados, os eventos virtuais e híbridos mais humanizados, e a sustentabilidade será uma responsabilidade coletiva.

De alguma forma a evolução tecnológica tem vindo a ameaçar esta área? Ou serão só vantagens?
Não ameaça, muito pelo contrário. A evolução tecnológica é um verdadeiro motor de transformação para a área de produção de eventos. No entanto, como qualquer mudança disruptiva, traz consigo desafios. Um deles é a adaptação constante e capacidade de reinvenção. A cada novo avanço tecnológico, há uma curva de aprendizagem que pode ser exigente para as equipas. Além disso, mantermo-nos atualizados implica investir constantemente em formação e equipamentos.

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