Margarida Pinto Brás: “A mulher é independente e é, sobretudo, capaz”

A questão dos papéis de género e da disparidade entre homens e mulheres não é nova e, felizmente, tem ocupado cada vez mais espaço entre os temas da atualidade. Segundo o Global Gender Gap Report 2022 do World Economic Forum, “embora nenhum país tenha alcançado a igualdade de género, as 10 principais economias reduziram pelo…
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Texto escrito por Margarida Pinto Brás, Chief Financial Officer da Multipessoal. Uma das oito mulheres escolhidas pela Forbes Portugal para assinalar o Dia da Mulher.
Forbes Women Líderes

A questão dos papéis de género e da disparidade entre homens e mulheres não é nova e, felizmente, tem ocupado cada vez mais espaço entre os temas da atualidade. Segundo o Global Gender Gap Report 2022 do World Economic Forum, “embora nenhum país tenha alcançado a igualdade de género, as 10 principais economias reduziram pelo menos 80% desta disparidade, com a Islândia (90,8%) a liderar o ranking global”. Ainda que estes dados sejam animadores, é inegável que, enquanto sociedade, ainda temos muito trabalho pela frente.

O Dia da Mulher gera, inevitavelmente, maior atenção para esta problemática e é, aliás, o que nos traz aqui hoje. No entanto, mais do que falar, é preciso agir e, mais do que agir, é preciso agir com intenção.

Uma das esferas em que a desigualdade de género é mais evidente e tem mais impacto é a do mercado de trabalho. Continuamos a assistir a um desfasamento bastante acentuado no que diz respeito não só às oportunidades a que as mulheres têm acesso, mas também às próprias compensações. Este desfasamento não tem, obviamente, por base a falta de competências ou sequer a presença de características que, por norma, se associam às mulheres. Tem, sim, origem em construções sociais e culturais que há muito se tornaram obsoletas, mas se têm revelado extremamente difíceis de desconstruir.

Historicamente, a mulher sempre esteve associada ao seu papel maternal e doméstico. Embora este seja um papel absolutamente valioso, entendemos, hoje, que é também extremamente redutor. A mulher é independente e é, sobretudo, capaz. No mercado de trabalho, vemos várias figuras femininas a destacarem-se, vemo-las a ocupar posições de liderança, a destacarem-se na criatividade, na inovação e num sem-número de dimensões. Mas vemos tudo isto numa pequena fração, quase como que sendo uma feliz exceção num mundo que – quer queiramos, quer não – ainda é fortemente masculino.

A verdade, como dizia, é que as mulheres continuam, quase invariavelmente, a partir em desvantagem, muito por culpa desta cultura que atrasou o reconhecimento e o crescimento do papel da mulher no mundo do trabalho.

Espera-se que a situação se inverta, e acredito que será uma questão de tempo até que o “normal” seja a inexistência da discussão sobre as oportunidades e passemos à ação sobre a valorização dos empregos da base da pirâmide, que em muito contribuem para o desfasamento salarial que se verifica entre profissões e que de alguma forma, afeta o peso do vencimento da mulher na sociedade.

Esta é uma questão social e cultural, sim, mas é também uma questão profundamente organizacional. As empresas têm aqui uma oportunidade ímpar para fazerem a diferença e liderarem a mudança. As empresas têm, aliás, a responsabilidade de assumir um papel ativo e intencional nesta transição. A questão que se coloca é: estarão elas dispostas e preparadas para serem protagonistas num novo capítulo da História?

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