“Qualquer resultado será um bom resultado e não belisca em nada aquilo que fizemos até agora”

Depois de vencerem os Estados Unidos, Brasil e Noruega, o selecionador Paulo Jorge Pereira disse aos jornalistas: "Já subimos à Serra da Estrela, mas falta subir o Evereste". E foi exatamente isso que a seleção de andebol fez. Seguiu-se um empate com a Suécia, a vitória frente à Espanha e o momento em que cravaram…
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Portugal continua um percurso que já é histórico no Mundial de andebol esta sexta-feira, frente à Dinamarca. A Forbes falou com os treinadores Carlos Resende e Ricardo Costa sobre esta equipa.
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Depois de vencerem os Estados Unidos, Brasil e Noruega, o selecionador Paulo Jorge Pereira disse aos jornalistas: “Já subimos à Serra da Estrela, mas falta subir o Evereste”. E foi exatamente isso que a seleção de andebol fez. Seguiu-se um empate com a Suécia, a vitória frente à Espanha e o momento em que cravaram a bandeira: a vitória frente à Alemanha, na primeira vez na história do andebol português em que a seleção jogou os quartos-de-final de um Mundial.

“Eu confesso que já não é fácil encontrar adjetivos para qualificar a nossa seleção, porque eles têm pulverizado recordes atrás de recordes”, diz Carlos Resende, treinador e antigo jogador de andebol, à Forbes. Mas podemos resumi-los da seguinte forma: A junção de duas gerações, ao comando de um elemento comum a ambas.

Primeiro os mais jovens, que Ricardo Costa, treinador do Sporting, afirma terem uma “qualidade inegável”. É o caso de Salvador Salvador, João Gomes, Francisco Costa e Martim Costa – os dois últimos seus filhos, além de seus jogadores no clube. Em segundo, a geração que durante anos trabalhou para que tudo isto fosse possível, com nomes como Fábio Magalhães, Rui Silva, António Areia ou Pedro Portela. A estes, Carlos chama de “um conjunto de jogadores que passaram o Cabo das Tormentas”. São aqueles que começaram por nem sequer conseguir o apuramento para as competições, de seguida a conseguir o apuramento, superar classificações antigas e atingir novos objetivos, como a primeira presença nos Jogos Olímpicos. E a juntá-los: Paulo Jorge Pereira.

“Há aqui, realmente, duas gerações bastante distintas. Vê-se dentro de campo uma comunhão fantástica entre as mesmas. Há aqui um elemento comum a isto tudo, que é o nosso selecionador. E ainda por cima é português. Neste espaço todo – não irmos, passarmos a ir e bater estes recordes todos – o único elemento comum que aqui há é o Paulo Jorge Pereira e a sua equipa técnica”, diz Carlos. E Ricardo acrescenta: “Este conjugar destas forças faz com que Portugal tenha uma qualidade acima da média e que seja uma das seleções mais fortes do mundo”.

“Acredito que temos uma palavra a dizer”

A partir daqui, nada do que aconteça pode ser visto como negativo. É que quando se escreve a história que esta equipa escreveu até agora, não há nada que consiga manchar uma página que seja.

Portugal entra em campo ao final da tarde desta sexta-feira (19h30) e terá pela frente a seleção da Dinamarca. Para os que não estão tão familiarizados com a modalidade, o desafio será enorme. “Vamos jogar contra a melhor equipa, contra a equipa que tem os melhores jogadores, a equipa que tem ganho mais vezes, a equipa que é tricampeã mundial, a equipa que se vai sentir a jogar em casa”, conta Ricardo Costa à Forbes.

Se vai ser difícil? Sim. “Mas também era difícil jogar contra a Espanha, contra a Suécia, contra a Noruega. Esta equipa tem tido umas prestações em que nós podemos esperar tudo. Esta rapaziada portuguesa já mostrou que, dentro de campo, não tem respeito a ninguém, no bom sentido”, defende Carlos Resende, destacando a tranquilidade com que a seleção tem enfrentado os momentos menos bons, conseguindo dar sempre a volta ao jogo.

Para Ricardo Costa, Portugal terá de se centrar no que consegue fazer, no andebol que têm vindo a apresentar e obrigar a Dinamarca a ter que jogar bem para conseguir ganhar. “A probabilidade da vitória está do lado da Dinamarca por todos os fatores que assinalei, mas acredito que temos uma palavra a dizer. Sejamos nós capazes de lhes dificultar o trabalho e de desfrutar daquilo que é uma meia final de um Campeonato do Mundo. E qualquer resultado será um bom resultado e não belisca em nada aquilo que fizemos até agora”.

“É o momento de investir”

Após a vitória frente à Alemanha, a organização do Mundial escreveu nas redes sociais: “Se é um sonho, não os acordem. Mas como não é, façam com que dure”. E fazer esta prestação história durar passa muito pelo trabalho que será feito em Portugal a partir do último jogo de Portugal no torneio.

Numa perspetiva geral, Carlos apela a um aumento da cultura desportiva. “Conseguimos um feito muito acima daquilo que é a sustentabilidade do nosso desporto. E nós esperamos que eles continuem a fazê-lo. Se eles conseguirem contribuir um bocadinho para este aumento da cultura desportiva em Portugal, fantástico”, diz. E falamos aqui de um feito que, para o treinador, está acima daquela que é a realidade portuguesa quando se trata de recursos humanos, recursos materiais e investimento no desporto.

O apelo de Ricardo Costa surge no seguimento disso mesmo. “É importante do ponto de vista de quem manda, os governantes, olhar e aumentar o investimento. Não diminuir, não dizer ‘nós agora já temos uma grande equipa e escusamos de investir tanto’. É o momento de investir. É o momento de as empresas verem que o andebol é realmente um produto muito apelativo, um produto onde se joga nos cinco continentes, onde há milhões e milhões de pessoas em todo o mundo a jogar. Que nós possamos, perante a equipa que temos e que já tem feito muito dentro de campo, cá fora continuar e agarrar tudo isto para termos um andebol ainda mais forte no futuro”, conclui.

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